MPF e Polícia Federal apuram possível massacre de índios no Amazonas

Imagem divulgada pelo MPF sobre garimpo ilegal no Rio Jandiatuba em São Paulo de Olivença

Adelson Kora Kanamari, lider da tribo Warikama Djapar, habitante do território indígena de Vale do Javari, no extremo oeste do Estado do Amazonas, no Brasil denuncia: "Entre 18 e 21 indígenas" terão sido assassinados no passado mês de agosto, mulheres e crianças incluídas.

Conhecidos como 'Flecheiros', os índios teriam sido assassinados em agosto por garimpeiros que exploram ilegalmente a área, que fica nas proximidades dos rios Jandiatuba e Jutaí, perto da fronteira com o Peru, a aproximadamente 1.000 km de Manaus, em uma região de difícil acesso. "Servidores da Funai fizeram o primeiro levantamento e entenderam ser necessário apresentar a denúncia", diz comunicado do órgão.

O MPF informou que não divulgará nomes no momento para não comprometer as investigações mas já existem garimpeiros detidos para prestar depoimento sobre o caso. As execuções foram promovidas por garimpeiros ilegais que agem na região.

O MPF confirmou que ainda não há confirmações de mortes, mas que as suspeitas estão sendo apuradas e há novas diligências em curso. "A instituição vem recebendo denúncias da Funai e dos próprios moradores, por conta da violência que o garimpo gera, da prostituição infantil, das ameaças e até de homicídios", reforça o MPF, em nota.

Realizada pelo MPF, Exército e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a operação tentava impedir a expansão do garimpo ilegal ao longo do Rio Jandiatuba.

De acordo com os investigadores, a atividade garimpeira tem avançado sobre o rio, que corta três terras indígenas e é amplamente utilizado por índios isolados para sua subsistência.

O suposto ataque já repercute no Congresso Nacional.

"Como vemos, é mais uma denúncia da maior gravidade". A Amazónia encontra-se em profunda mudança, com pressões sobre aquela área. "Nós da comissão queremos exigir a apuração dos fatos pelo MPF e pela PF e que o Ministério da Justiça e o Governo Federal se pronunciem", pediu o senador. Com informações da Agência Brasil.

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