Procuradoria da República denuncia cinco senadores do PMDB

Os senadores do PMDB Renan Calheiros e Romero Jucá conversam durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos
20/06/2017
REUTERS  Ueslei Marcelino

Os senadores Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR), Edison Lobão (MA), Valdir Raupp (RO) e Jader Barbalho (PA) e o ex-presidente da República, José Sarney (AP) e do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado (CE) foram denunciados nesta sexta-feira, 08, de integrar organização criminosa.

Segundo a denúncia apresentada pela PGR, há indícios de que o grupo atuava e tinha controle sobre a diretoria internacional da Petrobras e conseguia propinas. Em contrapartida, escreve Janot, as empresas beneficiadas pagaram "pelo menos" R$ 864,5 milhões de propina ao núcleo político.

"É de se estranhar e causar espanto que a denúncia feita no apagar das luzes da atual gestão da Procuradoria Geral da República, tenha como base delações feitas por pessoas que não conheço e nunca tive qualquer relação pessoal ou política", afirmou o senador.

"Para criar uma cortina de fumaça tentando desviar o assunto e encobrir seus malfeitos, o procurador-geral começa a disparar mais denúncias defeituosas. Ocorre que eu nunca mantive qualquer relação com os operadores citados e o procurador já sabe disso", afirmou Renan por meio de nota.

A assessoria de imprensa do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) alegou, também em nota, que ele foi "injustamente acusado" e "irá demonstrar sua inocência".

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, Kakay, que defende Lobão, Jucá e Sarney, disse que Janot está "colocando o simples fato de as pessoas serem filiadas e exercerem o dia a dia da política, que é indicar para cargos técnicos, como se isso fosse de alguma forma uma organização criminosa".

O PMDB também divulgou nota em que afirma que a denúncia "é mais uma tentativa de envolvimento do PMDB e carece de provas por parte do Ministério Público".

O procurador-geral destacou, na peça de acusação, que a associação criminosa investigada no âmbito da Lava Jato é aquela construída em 2002 para a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Tais denúncias são fundamentadas apenas em delações –como veio a público recentemente– direcionadas e pouco confiáveis", diz o texto. "O PMDB confia que o Supremo Tribunal Federal arquivará tais denúncias", frisou.

Os políticos do PP já foram denunciados pelo mesmo crime e a PGR ainda prepara denúncia contra membros do PMDB da Câmara, entre os quais o presidente Michel Temer.

"Em comum, os integrantes do PT, do PMDB e do PP queriam arrecadar recursos ilícitos para financiar seus projetos próprios".

Já sobre a Diretoria internacional, ocupada por Nestor Cerveró desde 2003, a PGR denuncia que o executivo, em delação premiada, confirmou que sua indicação se deu por influência do então senador Delídio do Amaral e do governador Zeca do PT.

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