Janot afirma que atua com imparcialidade na investigação que envolve Temer

Marcos Corrêa  PR

A denúncia apresentada pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot [VIDEO], contra senadores do PMDB, envolve também o nome do presidente Michel Temer, outro cabeça do partido. Essa deve ser uma das últimas missões do atual chefe do Ministério Público Federal (MPF), que deixa o cargo no dia 17 de setembro. A equipe do procurador-geral, que será substituído por Raquel Dodge no dia 18 de setembro, já trabalha, inclusive, no texto básico da acusação, de acordo com informações de O Globo. O caso está sendo mantido sob sigilo e até o momento não está claro ainda qual crime será imputado ao presidente, que nega ter cometido qualquer ato ilícito.

Desta vez, a expectativa é que Janot o acuse de obstrução de justiça ou organização criminosa, conforme inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Como a primeira parte, sobre a corrupção, já foi objeto de uma denúncia, o novo pedido de Janot pode englobar dois crimes ou apenas um. Joesley Batista, um dos sócios da empresa, chegou a entregar aos investigadores da Lava Jato um áudio contendo conversa entre ele e Temer, durante encontro fora da agenda presidencial, no Palácio do Jaburu.

Após a rejeição das denúncias na câmara aliados de Temer acreditarem que Rodrigo Janot perderia força, esta semana Lucio Funaro, apontado como operador financeiro do PMDB e ligado a Eduardo Cunha, assinou acordo de delação premiada. Na conversa com o presidente no Jaburu, Batista disse que fazia pagamentos a Funaro. A avaliação era que a pressão política levaria o procurador-geral a postergar as investigações por tempo indefinido, o que inviabilizaria uma nova iniciativa de ordem criminal.

Conversa. Base da provável denúncia contra Michel Temer, a conversa com Joesley Batista deflagrou uma crise no governo. No encontro, o empresário fala sobre vários crimes que teria cometido, como suborno a um procurador da República, e sinaliza a compra do silêncio de Funaro e Eduardo Cunha. Neste ponto, Temer diz que "tem que manter isso". Manifesta também interesse em cargos e decisões estratégicas do governo.

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