Eder nega ter recebido R$ 6 milhões para mudar depoimento

STF homologa delação de ex-governador de Mato Grosso

Moraes foi enfático: "O ex-governador Silval Barbosa está faltando com a verdade". A Globo ainda lembrou que Maggi é investigado na "Operação Lava Jato" sob a suspeita de receber R$ 12 milhões em 2006 na sua campanha a reeleição ao Governo de Mato Grosso, de acordo com delatores da construtora Odebrechet. "Ele deve estar tentando construir um castelo para sobreviver fora da cadeia", afirmou.

O acordo, no entanto, foi negado por Éder, que alega ter comentado uma única vez com Maggi sobre vaga no TCE, quando manifestou interesse em ser indicado pelo Executivo para uma vaga de conselheiro do TRibunal e que fora essa conversa nunca mais tratou do assunto com o então governador. Na delação ele deve fazer revelações que têm relação tanto com a Operação Sodoma quanto com a Operação Ararath, na qual também é investigado.

Ex-vice de Maggi entre 2007 e 2010, Silval Barbosa revelou o pagamento de uma propina milionária para Éder de Moraes mudar um depoimento dado ao Ministério Público Estadual e inocentar o atual ministro.

Os conteúdos trazidos pelo ex-governador poderão motivar novas operações da Polícia Federal no âmbito de investigações existentes ou originadas a partir da delação. O ministro já havia homologado a delação premiada de Pedro Nadaf, ex-chefe da Casa Civil do governo de Mato Grosso.

Barbosa relatou ainda pagamento de um "mensalinho" para deputados estaduais que atuaram na sua gestão para lhe garantir apoio. "Não compactuava com a forma como ele queria conduzir o governo dele", alegou. No primeiro mandato, Blairo Maggi estava no PPS e, no segundo, no PR. "É uma injustiça o que está sendo feito com o ex-governador Blairo Maggi", defendeu.

Eder, de fato, mudou de versão.

Em março de 2014, o ex-secretário de Finanças do Mato Grosso Éder Moraes contou à Justiça sobre um esquema de compra de vagas no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), do qual ele seria beneficiado. Ele próprio também teria pago a mesma quantia em dinheiro vivo.

Já em janeiro de 2015, após os pagamentos, Éder deu uma entrevista a TV Centro América dizendo que havia mentido no depoimento anterior.

O ex-governador também teria relatado fatos envolvendo pelo menos três deputados federais com mandatos em curso, cujos nomes ainda não foram identificados, além de repasses a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado. "Isto fez com que eu colocasse algumas palavras", declarou na retratação.

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