Rede vai à PGR contra liberação de emendas por Michel Temer

CCJ Maluf diz que Temer é'correto decente e honesto e que acusação é'imprópria

De acordo com Zveiter, que também é advogado, o presidente poderia, com a compra de votos, ser investigado por obstrução à justiça, crime que ainda não está sendo investigado. Na segunda, com o troca-troca dos membros da Comissão, o parecer foi derrubado e o novo relatório pedia que a investigação fosse arquivada. Esse valor corresponde ao período entre junho, após a divulgação da delação do empresário Joesley Batista, que foi usada na denúncia contra Temer, e as duas primeiras semanas deste mês, às vésperas da votação.

Molon alega que, desse R$ 1,9 bilhão, 288 milhões foram entregues para deputados que são contra a denúncia e, portanto, favoráveis ao presidente. O deputado criticou essa "concentração na distribuição da renda": "A pessoa que é favorável ao governo não pode receber mais dinheiro que as outras pelo simples fato de ser favorável ao que está acontecendo", argumenta Molon. Para Chico Alencar (PSOL-RJ), que assinou o documento do PSOL, apesar de negociações e acordos fazerem parte da política institucional, "existem limites que precisam ser preservados", em nome do interesse público. Segundo ele, "todo e qualquer uso de verbas públicas para se blindar de investigações acaba por configurar desvio de finalidade".

As emendas parlamentares são recursos com previsão no Orçamento federal e têm a aplicação indicada por cada parlamentar em obras e projetos em municípios de seus estados. Ao todo, cada parlamentar pode apresentar até 25 emendas individuais.

Segundo levantamento feito pela organização, dos 40 parlamentares pró-Temer na comissão, 36 tiveram empenhos para emendas em junho, pouco antes da votação. As trocas feitas pelo governo na CCJ da Câmara, antes da votação da denúncia, também ajudaram a elevar o valor desembolsado.

Notícias relacionadas: