Macron revela que tentou convencer Trump a voltar ao Acordo de Paris

Macron pede a Netanyahu retomada do processo de paz

O presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou a colaboração do seu país no Holocausto, criticando aqueles que ainda minimizam o papel francês no fato que causou a morte de dezenas de milhares de judeus.

Foi a primeira vez que um chefe de governo israelita assistiu a cerimónia que assinala deportação de 1942. "Falamos em detalhe do que voltar ao Acordo de Paris poderia lhe permitir", acrescenta Macron, após a visita de dois dias do presidente americano a Paris. O presidente francês clamou pela retomada das negociações de paz, destacando a importância de se chegar "à solução de dois Estados, Israel e Palestina, com fronteiras seguras e reconhecidas e tendo Jerusalém como capital".

As negociações entre israelenses e palestinos estão paradas desde o fracasso da mediação dos Estados Unidos, em 2014.

A prisão de judeus entre 16 e 17 de julho de 1942 é visto como um dos momentos mais negros da história de França. E a ameaça de uma conflagração do conflito paira permanentemente. O convite foi considerado por Netanyahu, expressando-se em francês na ocasião, como "um gesto muito, muito forte".

"Netanyahu é um animal político e quer garantir que a França não intervenha ainda mais", disse Jean-Paul Chagnollaud, especialista na questão palestina, lembrando que Nicolas Sarkozy e François Hollande "esperavam manter boas relações com Netanyahu e logo se desiludiram".

Mais de 13 mil judeus foram presos nesse período.

Macron disse que a sua presença dava continuidade ao fio condutor de Jacques Chirac, o antigo presidente francês que em 1995, no exercício das suas funções, foi o primeiro chefe de Estado gaulês a reconhecer a responsabilidade da França na rusga, numa posição que foi replicada pelos seus sucessores.

Macron minimizou os argumentos dos líderes franceses de extrema-direita de que o regime colaboracionista de Vichy não representava o estado francês, ao dizer que esse é um discurso "conveniente, mas falso".

Menos de 100 pessoas - e nenhuma criança - sobreviveram.

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