Janot diz não ter pressa para apresentar nova denúncia contra Michel Temer

Janot vai para os EUA e 2ª denúncia contra Temer deve ficar para agosto

Além de trabalhar em uma agenda positiva, para os próximos dias, e de se reunir com empresários, na tentativa de tranquilizá-los sobre o andamento das reformas tributária e previdenciária, o presidente Michel Temer também se reuniu com aliados, nesse fim de semana, com o objetivo de traçar uma estratégia para enfraquecer o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

"É importante que apuremos os fatos e que, se eles forem realmente ilícitos, aí sim devemos iniciar o processo penal. A primeira reação nossa foi dizer 'isso é mentira, não acredito que isso esteja acontecendo, é inacreditável que a prática continue de maneira aberta'", destacou Janot. O Ministério Público não tem pressa e nem retarda a denúncia. "E delitos graves", afirmou o procurador.

Isso porque, ainda conforme o procurador, as delação do ex-deputado Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro reforçarão o relato do empresário Joesley Batista.

"Eu sopesei o interesse público e concluí: eu viu conceder a imunidade".

Além disso, os colaboradores concordaram em participar de ações controladas, ainda sem a garantia do acordo, para conseguir mais provas. "Dos acordos de colaboração premiada realizados na Lava Jato, 85% foram feitos com os investigados livres", explicou o chefe do MPF.

Janot foi o oitavo convidado de uma série de palestras do Brazil Institute sobre as investigações que agitam a política brasileira desde 2014.

Após a apresentação, em entrevista à imprensa, perguntado se aceitaria a decisão da Câmara dos Deputados, caso esta fosse de não abrir o processo contra o presidente Michel Temer no Supremo Tribunal Federal, respondeu que aceitaria normalmente. "Não vou insistir nisso". Ele acusado de corrupção passiva, com base nas delações premiadas da JBS.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou na última semana parecer contra a continuidade da denúncia oferecida por Rodrigo Janot contra Temer. O plenário da Casa deverá votar o pedido no dia 2 de agosto, na volta do recesso parlamentar. Cabe aos deputados autorizarem ou não o Supremo a investigar o presidente da República.

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