SIRESP diz que não houve falhas no funcionamento da rede

Registo do SADO revela as falhas do SIRESP

"Não houve interrupção no funcionamento da rede SIRESP, nem houve nenhuma Estação Base que tenha ficado fora de serviço em consequência do incêndio", conclui o relatório de desempenho da entidade operadora do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal, na sequência do trágico incêndio de Pedrógão Grande, disponibilizado nesta terça-feira no site do Governo.

De acordo com o SIRESP, não houve estações fora de serviço por falha de energia elétrica e avançam mesmo com números: " Realizaram-se mais de 100 mil chamadas processadas no período crítico, das 19h de dia 17 às 9h de dia 18, através de 1092 terminais".

Apesar desta destruição, a empresa sublinha que "cada estação base garante a comunicação entre os operacionais no terreno na respectiva área de cobertura", assegurados pela tecnologia TETRA, uma tecnologia que, assegura o SIRESP, "permite ainda que os operacionais comuniquem directamente entre si no designado modo directo (walkie-talkie").

A SIRESP defende que o sistema tem duplicações que ajudam a que o sistema funcione mesmo em "situações extremas" como a que se verificou em Pedrógão Grande.

Houve, de facto, cinco estações que estiveram a trabalhar de forma local, tendo sido assegurado o funcionamento da rede até à reposição da infra-estrutura de telecomunicações, acrescenta a mesma fonte.

As falhas de comunicação no SIRESP foram confirmadas pela "caixa negra" da Proteção Civil, segundo noticia esta manhã o jornal Público.

O relatório rejeita que tenha havido qualquer falha da rede. "A saturação da rede não foi originada devidoa nenhuma falha da rede, mas foi originada por uma procura de tráfego superior à capacidade disponível".

O número excessivo de grupos de comunicações envolvidos nas operações, que foi de 572, também poderá ter contribuído para a ocorrência de situações de saturação, adianta o SIRESP.

Na última segunda-feira, a ministra da Administração Interna, Constança Constança Urbano de Sousa ordenou a realização de um "estudo independente sobre o funcionamento do SIRESP em geral, e em situações de acidente grave ou catástrofe, em particular", diz um comunicado do ministério.

Este relatório tinha sido pedido pelo Governo para apurar se houve falhas na rede.

O relatório confirma ainda que durante este período houve cinco antenas - as de Pedrógão Grande, Malhadas, Pampilhosa da Serra, Serra da Lousã e de Figueiró dos Vinhos - que arderam entre as 19h38 e as 3h53 de domingo.

Segundo esta, foi nestas primeiras horas que existiram vários pedidos de ajuda de pessoas cercadas pelo fogo, a que os comandos operacionais não conseguiram dar resposta imediata, devido às falhas nas comunicações.

Os incêndios que deflagraram na região centro a 17 de junho provocaram 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foram dados como extintos no sábado, uma semana depois.

Cerca de 8% das 115.255 chamadas feitas no incêndio de Pedrógão Grande, entre as 19:00 de 17 de junho e as 09:00 do dia seguinte, não foram feitas à primeira tentativa devido à saturação da rede, revela o SIRESP.

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