Rodrigo é o primeiro rosto conhecido na tragédia de Pedrógão

Menino de 4 anos e tio morrem na tentativa de fugir de incêndio em Portugal

"Isto é uma coisa do outro mundo". Foi desta forma que o primeiro-ministro, António Costa, descreveu o incêndio deste sábado em Pedrógão Grande, norte do distrito de Leiria, que provocou pelo menos 61 mortos, todos civis, e 54 feridos. Na aldeia de Mó Pequena, Bianca, de 4 anos, terá morrido quando fugia com a avó.

Morreram também dois casais, com idades entre os 40 e 50 anos, que saiam da praia fluvial da Roca e que ficaram presos na estrada.

A contabilização e identificação das vítimas continua. Membros do laboratório de medicina científica da Polícia Judiciária e do Instituto de Medicina Legal estão no terreno a identificar as vítimas, que serão depois recolhidas em câmaras frigoríficas. Começam a ser conhecidas as primeiras vítimas mortais desta tragédia. Sabe-se ainda que há quem tenha morrido atropelado, quando tudo se precipitou.

Rodrigo Rosário, de apenas quatro anos, estava passando as férias na casa do tio, Sidel Belchior, de 37 anos. O corpo do tio foi logo encontrado carbonizado dentro da viatura, mas Rodrigo esteve desaparecido até esta manhã de domingo. Sidel e Rodrigo tentaram escapar das chamas, mas sofreram um acidente na estrada. Os carros foram ainda atingidos por uma árvore em chamas que caiu. Ainda conseguiram sair da viatura, assim como o condutor do outro carro, mas foram, os três, apanhados pelas chamas.

De acordo com o Correio da Manhã, os pais da criança estão de férias em São Tomé e Príncipe. Desde sábado que estavam a partilhar apelos desesperados para encontrar o filho. Quatro bombeiros e uma criança estão em estado grave. A idosa e a bebé morreram de imediato. De acordo com o presidente da Junta de Freguesia de Vila Facaia, José Henriques, ao menos outras três crianças morreram no incêndio, sendo duas delas aparentando cinco ou seis anos. "O pai está na aldeia, destroçado", disse.

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