FHC sugere que Temer deveria convocar eleções gerais antecipadas

Silvia Costanti  Valor

Desde que as delações da JBS vieram à tona, junto com a gravação do empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, em conversa com Temer, na qual o presidente avaliza uma série de ilícitos cometidos por Joesley, como a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro, ambos detidos na Operação Lava Jato, o presidennte tem enfrentado uma enxurrada de pedidos de impeachment na Câmara e diversas manifestações contra sua permanência no governo.

Para os "cabeças pretas", porém, a posição do ex-presidente fortalece a ala que prega o desembarque. "Se acontecer uma situação de ingovernabilidade, a antecipação da eleição direta é uma hipótese".

O ex-presidente fez referência, ainda, à "pinguela", imagem que deu ao governo Temer, e agora disse que "se a pinguela continuar quebrando, será melhor atravessar o rio a nado e devolver a legitimação da ordem à soberania popular".

Nas palavras do tucano: "a conjuntura política do Brasil tem sofrido abalos fortes e minha percepção também". Se eu me pusesse na posição de presidente e olhasse em volta reconheceria que estamos vivendo uma quase anomia. Diz que "a maior responsabilidade" é do presidente Michel Temer e que é ele quem tem que decidir "se ainda tem forças para resistir e atuar em prol do país".

"Se tudo continuar como está, com a desconstrução contínua da autoridade [de Temer], pior ainda se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o PSDB possa continuar no governo", afirmou Fernando Henrique. "Ou se pensa nos passos seguintes em termos nacionais e não partidários nem personalistas ou iremos às cegas para o desconhecido", ponderou. Para que haja eleições antecipadas, é preciso alterar a Constituição por meio de uma proposta de emenda constitucional no Congresso (PEC). "Falta o que os políticólogos chamam de 'legitimidade', ou seja, reconhecendo que a autoridade é legítima consentir em obedecer", disse o tucano. Na tentativa de se explicar, diz que "no calor dos embates diários e de declarações dadas às pressas", talvez não tenha sido claro "nem sem hesitações".

"O PSDB não apelou 'ao muro' [ao permanecer no governo Temer], mas à prudência de um tempo maior para que todos, colocando interesses partidários e pessoais em segundo plano, possamos responder com desprendimento: o que é melhor para o Brasil?"

O ex-presidente rechaçou a ideia de que o apoio do PSDB ao governo peemedebista esteja vinculado a uma possível aliança em 2018.

Depois, em maio de 2016, ao Estadão disse que "se o governo for para um caminho que achamos errado, então o PSDB sai".

Após ter conhecimento que a sigla continuaria na base de manutenção de apoio do governo Temer, Miguel Reale encaminhou uma carta ao diretório paulista da sigla, com uma solicitação de desfiliação, na última segunda-feira (12). "(...) O partido tem que ter convicção". Diante desse cenário, o ex-presidente diz ter mudado de opinião de que seria um golpe a convocação de eleições antes do término do mandato de Temer, em 2018. "Depende, depende de como as coisas acontecem".

Notícias relacionadas: