Trump cancela acordo com Cuba e proíbe turismo à ilha

AFP  MANDEL NGAN

A mudança na política em relação a Cuba acontece no momento mais delicado de seu curto mandato, logo após o Departamento de Justiça tê-lo incluído na lista de investigados do escândalo "Russiagate", que apura supostas interferências da Rússia na eleição do ano passado.

"Eu estou cancelando o acordo completamente unilateral da última administração assinado com Cuba", afirmou Trump no tradicional polo de exilados cubanos nos Estados Unidos.

Um dos maiores legados políticos do presidente anterior foi a abertura das relações diplomáticas com Havana em 2015, após meio século de ruptura e desconfiança.

Por outro lado, o ocupante da Casa Branca prometeu: "Agora, que sou Presidente, os EUA vão denunciar os crimes do regime Castro". "Sabemos o que acontece e lembramos o que aconteceu".

Esta iniciativa deve ser vista em um contexto de contrastes marcantes. "Com esse fim, devemos garantir que os recursos dos Estados Unidos não sejam canalizados para um regime que não cumpriu com os requisitos mais básicos de uma sociedade livre e justa", acrescenta o texto ao qual a CNN e o Politico tiveram acesso.

Para os analistas políticos, o presidente enviou sinais bem claros à comunidade cubana da Flórida, anticastrista, que lhe deu um apoio eleitoral precioso.

"Trump vai jogar alguma carne vermelha para os cubano-americanos de linha dura, mas a política na prática vai mudar só de maneira marginal", avaliou Richard Feinberg, especialista em Cuba e professor de Política Econômica Internacional da Universidade da Califórnia em San Diego. "A política de Obama enriqueceu o regime e aumentou a repressão na ilha", disse um dos integrantes do governo que participou de teleconferência ontem sobre as mudanças - é praxe que eles não se identifiquem.

Trump justificou sua reversão parcial das medidas de Obama para Cuba em grande parte por razões de direitos humanos.

Trump fez o discurso em um pequeno teatro em Little Havana, em Miami, coração da comunidade de cubanos que fugiram da ilha para os EUA depois da Revolução de 1959.

De forma simétrica, segundo o grupo de análise Engage Cuba, a interrupção do processo de aproximação com a ilha colocaria em risco nada menos que dez mil empregos nos Estados Unidos, só no setor dos transportes.

Além disso, destacou, "Cuba tem colaborado com a ONU em desafios compartilhados, como o tráfico de drogas, ajuda em casos de desastres ou prevenção de doenças".

Mais de 250 mil americanos visitaram Cuba nos primeiros cinco meses de 2017, o que representou um crescimento de 145% com relação ao mesmo período de 2016, reportou na quarta-feira um portal cubano, citando fontes oficiais.

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