Doleiro confirma que operava propina para o PMDB

Lúcio Funaro negou no depoimento ter recebido dinheiro da JBS para se manter calado

Apontado como aliado do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em esquemas de corrupção, Funaro está preso há 11 meses em Brasília.

Em seu primeiro depoimento, Funaro havia acusado o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que ocupou a Secretaria de Governo no início do mandato de Temer, de ter feito sondagens, ligando várias vezes para a esposa do doleiro, a fim de descobrir se ele faria acordo de delação premiada, conforme a imprensa havia divulgado.

Nesses termos, o Colegiado, acompanhando o voto do relator, negou o pedido de habeas corpus ao denunciado.

Nas últimas semanas, Funaro - visto como um aliado antigo de Cunha - contratou um advogado especializado em delações premiadas, o que fez crescer a expectativa de que ele possa colaborar com as investigações da Operação Lava Jato, possivelmente fornecendo informações que possam complicar Temer e pessoas próximas a ele. Ao jornal, a assessoria do presidente Michel Temer negou que ela tenha tido conhecimento de financiamento ilegal de campanha para a sigla. "O presidente Michel Temer somente tinha conhecimento de doações legais ao partido", informa a nota. O depoimento, que durou mais de quatro horas, foi o segundo, desde sua primeira visita à delegacia, no dia 2 deste mês. Funaro, que negocia um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), promete detalhar desvios financeiros praticados pelo PMDB da Câmara dos Deputados - grupo liderado por Temer, principal alvo de sua delação. De acordo com ele, os recebimentos de recursos da JBS estão ligados a três contratos legais que o empresário mantinha com ele para prestação de serviços em operações de mercado.

A irmã do doleiro, Roberta Funaro, foi presa com uma mala com R$ 400 mil, dinheiro que os investigadores suspeitam que seria fruto de pagamento de propina.

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