Sociais-democratas acusam Costa de agir como autarca de Lisboa

Porto insiste em candidatura à Agência do Medicamento

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, revelou na reunião camarária de 16 de maio ter escrito ao primeiro-ministro a "mostrar o interesse" em acolher a sede da EMA.

A "conveniência da proximidade do Infarmed" é outro dos fatores apontados pelo líder do Governo como justificação para candidatar Lisboa, e não o Porto, a acolher a sede da EMA que deve abandonar Londres com a saída do Reino Unido da União Europeia.

Na sessão do executivo realizada esta terça-feira, Rui Moreira adiantou ter recebido a resposta segunda-feira.

O primeiro-ministro, António Costa, decidiu candidatar Lisboa para acolher a Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla inglesa) por "ser fator de preferência a existência de Escola Europeia, que só Lisboa poderá vir a ter", indica uma carta a que a agência Lusa teve acesso.

O facto da capital portuguesa já ser a sede da Agência Europeia de Segurança Marítima e do Observatório da Droga e da Toxicodependência volta a entrar na lista dos fundamentos, lembrando os opositores desta candidatura que um dos principais critérios para a escolha da nova localização da EMA é precisamente o da distribuição geográfica - e "nenhuma cidade europeia tem mais de duas agências".

Paulo Rangel e José Manuel Fernandes entendem que Portugal possui outras cidades com todas as condições para receberem a sede da AEM e dá o exemplo de Porto e Braga.

Inicialmente, Rui Moreira recusou "fazer de Calimero" e votar a favor da proposta do PS, referindo uma carta que recebeu do primeiro-ministro na segunda-feira e na qual, segundo o autarca, "o grande argumento para candidatar Lisboa é uma Escola Europeia que não existe em Lisboa".

No caso de Espanha, que está a candidatar Barcelona à EMA, Moreira notou que o país tem uma Escola Europeia em Alicante, localidade "que fica mais longe de Barcelona do que o Porto fica de Lisboa".

O vereador socialista Manuel Pizarro insistiu na necessidade de o Porto não se resignar, manifestando a "profunda convicção de que uma candidatura da cidade, se for bem participada e argumentada, pode inverter" a decisão do Governo.

Ricardo Valente, vereador da Economia, criticou a proposta "inócua e inconsequente" do PS, por representar o "papel triste de estar a mendigar". Estes são alguns dos argumentos apresentados pelos social-democratas que subscrevem a petição e que, desde logo, apontam Porto e Braga como alternativas. "Se não, naturalmente terá de se rever essa posição".

O destino da agência europeia depende de Bruxelas "e a resolução não será certamente tomada nos tempos mais próximos", mas, "entretanto há que preparar melhor a candidatura nacional" e tomar decisões que "só dependem do Governo português", sustentou José Manuel Silva, que falava, ao final da tarde, num debate sobre saúde, promovido pelo 'Somos Coimbra', movimento criado no âmbito da sua candidatura à Câmara da cidade.

A Câmara do Porto pediu na quinta-feira ao Governo que divulgue publicamente e forneça os estudos que levaram à decisão de apenas candidatar Lisboa para instalar em Portugal a EMA, excluindo aquela cidade.

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