Uber enfrenta crise em seu comando

CEO da Uber escreve guia com recomendações de cariz sexual para empregados

A série de de escândalos teve início em Fevereiro, quando uma antiga engenheira da Uber, Susan Fowler, denunciou publicamente que o seu chefe a tinha assediado sexualmente.

A Uber, que nos últimos tempos tem saltado de problema em problema e de processo em processo, que vão desde alegados abusos sexuais a roubo de documentos (relacionados com o desenvolvimento da condução autónoma para automóveis e camiões), volta a ser notícia pelo facto de o seu CEO, Travis Kalanick, ter enviado um guia com orientações de cariz sexual para os seus empregados, via email.

Uma das coisas que terá pesado na decisão do presidente da plataforma terá sido a morte da sua mãe, que faleceu recentemente num acidente de barco.

"Nesse período de licença, o time de liderança, meus diretores, vão guiar a companhia".

A Uber lançará o relatório, preparado pelo ex-procurador-geral americano, Eric Holder, nesta terça-feira, segundo fontes próximas ao caso. "Se vamos trabalhar pelo Uber 2.0, também preciso trabalhar em Travis 2.0, para me transformar no líder que esta companha precisa e que vocês merecem", afirma o texto.

Emil Michael, vice-presidente sênior e próximo aliado de Kalanick, por sua vez, deixou a empresa, disse a fonte.

Com um modelo de negócios bastante questionado, a Uber, que começou em 2010, não opera na Bolsa, mas é avaliada em 70 bilhões de dólares, com base na captação de fundos realizada entre os investidores.

Criado em 2009 e lançado no ano seguinte em São Francisco, o Uber foi um sucesso imediato e por muito tempo se tornou sinônimo, ao lado do Airbnb, de economia compartilhada. Enquanto isso, seu substituto já foi anunciado: David Richter, funcionário da empresa desde 2014.

Mas logo surgiram tanto as queixas de meios de transporte tradicionais, como os táxis, quanto dos próprios profissionais ligados ao Uber - e o termo "uberização" passou a ser sinônimo de precariedade nas relações trabalhistas. Ela trabalhou no Uber de novembro de 2015 a dezembro de 2016.

Ainda neste âmbito legal, o governo dos Estados Unidos abriu uma investigação penal contra a Uber, suspeita de ter utilizado um software para que seus motoristas evitem ser detectados pelas autoridades nas áreas onde seus carros não podem trabalhar.

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