Reino Unido: Partido Unionista Democrático fecha acordo com conservadores

Alastair Grant  Associated Press

Barwell foi um dos conservadores que perdeu seu assento no Parlamento nas eleições de quinta-feira.

Já vimos algumas mudanças de pessoal em Downing Street.

Enda Kenny deverá deixar o lugar de primeiro-ministro ao seu sucessor Leo Varadkar na próxima semana.

"Tendo assegurado o maior número de votos e de lugares [no parlamento] nas eleições legislativas, é claro que apenas o partido Conservador e o Partido [Democrático] Unionista têm legitimidade e capacidade para providenciar essa certeza ao controlar uma maioria [absoluta] na Câmara dos Comuns", disse, num discurso à porta da residência oficial, em Downing Street.

O DUP, principal força política na Irlanda do Norte, defensora da união com o Reino Unido e do 'Brexit', elegeu 10 deputados, mais dois do que em 2015, superando os sete (+3) do Sinn Féin.

Para além disso, um acordo que supostamente já estaria fechado, afinal ainda não tem pés para andar.

O novo Parlamento se instalará na terça-feira, antes da cerimônia de abertura solene de 19 de junho, dia em que está previsto o início das negociações do Brexit. O conservadorismo social do DUP, contrário ao casamento gay e ao aborto, preocupa não só em Londres como também na Escócia, onde a chefe dos conservadores Ruth Davidson já apresentou suas condições.

"Não estamos em um governo com o DUP, não estamos em uma coalizão com eles".

Durante a manifestação, foram ouvidos cânticos como "conservadores fora, refugiados dentro" ou "fora com o DUP, racista, sexista e antigay". Além disso, um abaixo-assinado contra May denunciando uma "tentativa desesperada e surpreendente para seguir no poder" já recolheu mais de 660.000 assinaturas.

O ex-ministro conservador para a Irlanda do Norte, Owen Paterson, alertou hoje em uma entrevista à "BBC" que iniciar um processo para escolher um novo líder levaria os conservadores ao "caos" em um momento político complexo, quando estão a ponto de começar as negociações sobre a saída da União Europeia (UE).

Este comunicado surge depois de um outro, emitido no sábado, que exagerou no progresso das conversações, ao anunciar que o DUP tinha já dado 'luz verde' às principais linhas de uma proposta para apoiar os conservadores, falando de um princípio de acordo com o DUP para governar com o apoio pontual, mas aparentemente sem coligação.

Neste contexto, May está sob enorme pressão.

"Mesmo assim, assumo a responsabilidade pelo conteúdo de todo o programa, que continuo acreditando que é honesto e sólido para governar", afirmou o chefe de gabinete.

Enquanto isso, Fallon deu a entender que o Reino Unido poderia mudar o tom nas negociações, salientando a importância de "encontrar um acordo sobre a imigração que seja aceitável para nós".

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