Presidente defende combate à pobreza, superação da injusiça e promoção do conhecimento

Cidade do Porto

O discurso do Presidente, que também é comandante supremo das Forças Armadas, foi escutado pelo presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e pelo primeiro-ministro, António Costa.

Marcelo Rebelo de Sousa destacou os portugueses dentro e fora do país, considerando que é "missão de todos respeitar" quem deu e dá liberdade. Mas um problema de agenda do chefe de Estado do Brasil levou ao cancelamento do encontro, pedido por Temer.

"Surgiu um problema no programa do senhor Presidente da República Federativa e, pedindo muita desculpa, disse que não estava com disponibilidade de horário para poder aparecer", disse o chefe de Estado português.

Santos Silva considerou ainda uma "excelente ideia" o modelo de comemoração do Dia de Portugal em dois países, porque "o Presidente da República é também o presidente das comunidades". "Há aqui um princípio básico, que é só dança quem está na roda, e quem está na roda, quer estar na roda".

"Há Presidentes que, em virtude de conjunturas que só eles conhecem e de problemas que só eles conhecem, têm mais disponibilidade que outros", disse, e acrescentou que os portugueses é que estão mal habituados.

O encontro entre o Presidente português e o seu homólogo estava a ser preparado e devia acontecer este domingo, na cidade do Rio de Janeiro.

Portugal tem um Presidente "com uma disponibilidade constante que não é habitual noutros Estados", sublinhou.

Ao seu lado, o primeiro-ministro acrescentou que "o objetivo principal deste encontro é festejar com as comunidades portuguesas", ao que o Presidente retorquiu: "Claro".

Se tivessem sido condenados, Michel Temer teria perdido o cargo de Presidente do Brasil e Dilma Rousseff o direito de concorrer a cargos públicos por oito anos.

Para Marcelo, o essencial na viagem ao Brasil é o "o encontro entre povos".

Recorde-se que Marcelo e Costa estão no Brasil, com passagens em São Paulo e no Rio de Janeiro, para assinalar o Dia de Portugal junto das comunidades portuguesas naquele país.

O chefe de Estado disse que Portugal acompanha "muito de perto" as comunidades "com uma palavra de incondicional solidariedade, em especial para as que mais sofrem ou desesperam", bem como se abre "àquelas e aqueles" que chegam ao país "de tantas paragens sonhando ficar" e ter uma vida melhor do que aquela que "lhes é negada nas suas terras natais".

"É um dia que tem 28 horas, começou esta manhã no Porto e continua aqui em São Paulo", disse, referindo-se depois aos portugueses na Venezuela: "Quanto mais é o sofrimento por parte de comunidades portuguesas, mais estão no nosso coração".

Portugal tem um território físico, mas tem um território espiritual muito maior. "É por causa do território espiritual que António Guterres é secretário-geral das Nações Unidas", concluiu.

Os principais monumentos de São Paulo foram iluminados com as cores verde e vermelho da bandeira de portuguesa, numa homenagem da Prefeitura da cidade pelas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.

Ainda na segunda-feira, durante a visita aos Açores, Marcelo Rebelo de Sousa evitou falar diretamente sobre o encontro com o Presidente brasileiro, garantindo que não existiam "convites a autoridades brasileiras".

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