Maior causa de morte evitável do mundo e risco sócio econômico — Tabagismo

OMS diz que tabaco mata sete milhões por ano e quer mais medidas

O Brasil tem prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões com o tabagismo. Desses, R$ 39,4 bilhões são relativos a custos médicos diretos e R$ 17,5 bilhões a custos indiretos, decorrentes de perda de produtividade devido à morte prematura e à incapacitação de trabalhadores.

O custo estimado supera as receitas globais com os impostos sobre o fumo, que a OMS estimou em US$ 270 bilhões em 2013-2014.

Segundo pesquisas, metade dos tabagistas, provavelmente, falecerá devido a doenças causadas pelo cigarro. Cerca de 50% das pessoas conseguem parar de fumar. Isso ocupou 4,3 milhões de hectares de terra produtiva em pelo menos 124 países.

Todos os anos, mais de sete milhões de pessoas morrem devido ao tabagismo, um valor muito superior aos quatro milhões de mortes que eram contabilizadas no início do século XXI, de acordo com números da OMS. Os impostos pagos pela indústria, entretanto, geram apenas R$ 6 bilhões ao País.

Segundo o ministro da Saúde, Ricardo Barros, que participou do evento por videoconferência, essa é uma das medidas em discussão no governo.

- Não podemos pensar que a questão está resolvida, ainda temos um caminho muito grande pela frente - avalia Renato Calil, pneumologista do hospital Caxias D'Or.

O risco estende-se também ao cigarro electrónico e aos novos produtos de tabaco aquecido sem combustão, uma vez que, segundo a especialista, "a nicotina inalada causa doença cardíaca e vascular". Está com pedido de vista.

VigitelTambém foram apresentados hoje os dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2016) relacionadas ao tabagismo. Fumante desde os 28 anos, em 2013 Telma resolveu abandonar o vício, após um amigo ter a perna amputada em consequência do tabaco. O maior número de consumidores de cigarro aparece em Curitiba (14%), Porto Alegre (13,6%) e São Paulo (13,2%). Salvador foi a capital com menor prevalência de fumantes (5,1%).

- A política de preços para os cigarros está estacionada há um ano, e sabemos que o encarecimento está relacionado fortemente a uma redução do consumo - diz Cristina Perez, da Fundação do Câncer. Nas áreas urbanas e litorâneas, eles representam de 30% a 40% de todos os resíduos que são recolhidos. Então, em 2011, começa essa nova fase com o preço mínimo. "Esse processo também conta com apoio medicamentoso que inclui, por exemplo, terapia de recomposição de nicotina que vai melhorar os sintomas da abstinência", explica a assistente social que acrescenta que o tratamento inclui ainda carga controlada de nicotina, goma de mascar, pastilhas e o bup (medicação de uso controlado prescrita pelo médico) que trata também ansiedade e depressão. Robalo Cordeiro alerta que não são ainda conhecidos os componentes destas alternativas ao tabaco mas que não são, certamente, produtos aconselhados para o sistema respiratório.

"Somos o segundo maior produtor, o mais exportador, e temos 150 mil famílias presas nessa cadeia produtiva, dependentes economicamente [do tabaco]".

Em Rio Branco 10 unidades de saúde oferecem tratamento aos que pretendem abandonar o vício do cigarro.

No Dia Mundial sem Tabaco 2017 foi adotado como tema da campanha Tabaco: uma ameaça ao desenvolvimento. Isto demonstra que este hábito deletério que afeta a saúde dos fumantes e também de quem com eles convivem nas residências, locais de trabalho e outros lugares, acaba levando a morte 'a milhões de pessoas mundo afora e aproximadamente 150 mil mortes no Brasi a cada ano.

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