Greve dos médicos com adesão superior a 80%, segundo Sindicato

Estes são os serviços que não vão ser afetados pela greve dos médicos

O Sindicato Independente dos Médicos aponta para níveis de adesão superiores, da ordem dos 80% de clínicos, e reconheceu que a greve afetou o funcionamento de vários serviços hospitalares obrigando ao cancelamento e reagendamento de que um número não quantificado de atos médicos.

"Aquilo que nós vimos é que a negociação somente com os dois secretários de Estado esgotou e, portanto, é preciso subir outros patamares a nível governamental que possibilitem encontrar soluções para problemas que são inadiáveis", disse aos jornalistas o presidente da FNAM, Mário Jorge Neves, à saída do Palácio de São Bento, depois de entregue a missiva.

A paralisação foi convocada pelos dois sindicatos médicos e é a primeira destes profissionais de saúde que enfrenta o atual ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes. Com esta greve os representantes dos médicos pretendiam também "obrigar" o ministro da Saúde a estar presente em todas as reuniões, como acabou por acontecer com o ministro Paulo Macedo depois da paralisação de 2012.

A greve de zelo visa protestar contra a falta de diálogo do Ministério da Saúde com estas estruturas sindicais que acusam a tutela de não dar seguimento às suas reivindicações, nomeadamente em matéria de horários de trabalho, categorias e vencimentos.

Os médicos já fizeram entretanto saber que, caso as negociações não sejam desbloqueadas nas próximas duas semanas, os protestos vão subir de tom. Contudo, até ao momento ainda não foi marcada qualquer reunião.

"Esse tipo de brincadeiras será denunciado por nós". Aquilo que solicitamos por parte do Ministério da Saúde é que nos levem a sério.

Num comunicado conjunto sobre o final da greve, a Fnam e o SIM agradecem aos médicos pela adesão e aos doentes pela compreensão.

"Quem anda no terreno sente há muito tempo esta revolta e esta indignação, que vão ser corporizadas na enorme adesão que nós estamos certos que irá ocorrer amanhã [quarta-feira] e depois de amanhã [quinta-feira]".

Queixam-se de que o Governo tem empurrado as negociações ao longo de um ano, sem concretizações, e demonstrado falta de respeito pelos profissionais.

Os médicos exigem, entre outras medidas, o pagamento das horas extraordinárias a 100%, limitação do trabalho suplementar a 150 horas anuais, em vez das atuais 200, a redução do número de horas de trabalho nas urgências e a limitação da lista de utentes por médico de família.

Para o deputado é necessário existirem mais enfermeiros e também melhorar o pagamento das horas extra aos médicos pois desta forma haverá mais profissionais para fazer o horário extraordinário o que permite deixar de recorrer a empresas prestadoras de serviços. O Governo indica também que rejeita negociar sob pressão.

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